Issao Minami: Como deveria ser a paisagem urbana Pós “Cidade Limpa”

Como deveria ser a paisagem urbana Pós “Cidade Limpa” e Pós “outdoors”, em especial, nos Centros Históricos das cidades?

“Quando se pensa em uma cidade, pensa-se em funcionalidade. Vias públicas, edifícios e todos os equipamentos que compõem o cenário urbano devem ser concebidos para o eficiente exercício de funções com moradia, trabalho, circulação e lazer”.

Assim se pautava o promotor paulistano João Lopes Guimarães Filho, em 2002, na ocasião em que empenhávamos,  juntos,  em  um projeto de revitalização urbana para a Avenida Angélica no bairro de Higienópolis em São Paulo, emparceirando: Comunidade, Ministério Público e Universidade de São Paulo. A população reclamava do  abarrotamento  de elementos de publicidade  e outros que causavam conflitos na questão do uso do espaço urbano.

Fascínio da beleza e formosura que reflete a estética: São Cristovão no estado de Sergipe

Fascínio da beleza e formosura que reflete a estética: São Cristovão no estado de Sergipe

Inúmeros componentes da paisagem urbana realçam a sua beleza. A boa conservação de fachadas de imóveis, a arborização, a limpeza da fachada e empena de edifícios e monumentos, onde em contraposição, o efeito proporcionado pela inserção de elementos publicitários no cenário da cidade não ocasione degradação e produza uma solução de design dada pela profusão de imagens e cores decorrentes da exposição de placas, setas, outdoors, faixas, marcas de produtos e mídia eletrônica e, sobretudo,  proporcione bem estar, deleite e impressão de continuidade visual.

A paisagem urbana é composta do sítio urbano natural, das edificações e da população. Essa enorme ocupação por publicidade  não faz parte dessa paisagem e por isso causa um desequilíbrio que gera efeitos psicossomáticos no cidadão, como o estresse visual. A excessiva publicidade é um elemento conflitante com os edifícios, escondendo suas fachadas, mascarando toda a beleza arquitetônica e urbanística.

Aqui não se pretende discorrer sobre o fascínio que a beleza e a formosura das coisas exercem sobre o ser humano e, apenas, destacar que o culto ao belo faz parte da cultura do homem. Não é por outra razão que ele se cerca de ornamentos, valoriza a harmonia da forma e da cor dos objetos e suas qualidades plásticas e decorativas.

Pode-se falar, assim, numa função estética que as coisas em geral devem possuir a fim de criar uma sensação visualmente agradável às pessoas. Isso vale também para as paisagens que cercam nosso dia-a-dia, sobretudo nas cidades.

Os elementos urbanos devem compor um cenário perceptivoque devem estar ordenados de forma harmônica, que possa ser apreciada. A função estética da paisagem urbana deve ser levada em conta pela Administração em toda e qualquer intervenção urbanística e sua proteção e garantia devem ser disciplinadas em lei. É evidente que o julgamento de padrões estéticos será sempre subjetivo, e a imposição de um padrão oficial de estética seria autoritária. Algum grau de consenso, no entanto, pode haver em relação à beleza de elementos naturais em geral (vegetação, céu, lagos, rios e praias) e até de elementos artificiais (monumentos, prédios históricos com características marcantes de determinado estilo e fachadas visualmente desobstruídas).

Aspectos culturais, ecológicos, ambientais e sociais devem também ser considerados, além do aspecto plástico, quando se pensa em paisagem. Até mesmo como recurso que favorece a atividade econômica a paisagem deve ser encarada. O potencial turístico de cidades como Salvador, Rio de Janeiro e Ouro Preto está diretamente ligado à formosura de suas paisagens. A indústria do turismo, com todos seus desdobramentos econômicos, nessas e em outras cidades, depende da conservação e melhoria de seus belos panoramas.

A importância de protegê-la levou o Conselho Europeu a discutir a elaboração de uma Convenção Européia de Paisagem. No preâmbulo do Projeto, estão as seguintes justificativas:

“… a paisagem desempenha um importante papel de interesse público nas áreas social, cultural e ambiental, constituindo-se em recurso favorável à atividade econômica cuja proteção, gestão e planejamento contribuem para um trabalho criativo;“… a paisagem contribui para a formação de uma cultura local que constituía um componente fundamental de um patrimônio cultural, contribuindo para o bem estar da população e consolidando uma identidade européia;
”… a paisagem é um componente importante da qualidade de vida da população em qualquer lugar;  em áreas urbanizadas ou em naturais; em áreas degradadas como também em áreas qualificadas com qualidade de vida; em áreas consolidadas e saudáveis sob todos os aspectos”.

E afinal , o  que é poluição visual?

Poluição visual é pois, consequência e resultado de desconformidades de todas as situações e também o efeito da deterioração dos espaços da cidade pelo acúmulo exagerado de anúncios publicitários em determinados locais, porém o conceito mais abrangente é aquele que diz que há poluição visual quando o campo visual do cidadão se encontra de tal maneira que a sua percepção dos espaços da cidade é impedida ou dificultada.

Paisagem urbana e poluição visual

Paisagem Urbana e Poluição Visual

Ouça estrevista com Issao Minami (junho/2006), pouco antes da implantação da Lei Cidade Limpa, em São Paulo.

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